Usuarios online  

Filha de Pais Separados

 

Alguns lares de pais separados em dias atuais se tornaram inferno para os filhos, um local de sofrimento, dor, e revolta. Aquela menina de 14 anos, filha de pais separados, chegando ao pai lhe diz: “Pai, venho aqui te dizer que hoje encerra-se a minha vida, não posso conviver mais com isto, pai, o senhor me convida para passar finais de semana contigo, a lei isto determina e estou eu aqui na tua nova casa, se aqui estou a minha presença não traz alegria geral,  tua nova companheira, tua nova esposa, fica com ciúmes de mim, até inventa coisas que não fiz, pai, tentando fazer com que ralhes comigo, aqui estando pareço uma estranha, o quarto em que durmo não é meu, a todo instante tua nova esposa chega para ver se está tudo como ela deixou, e ai de mim se não estiver, e tu, pai, que fazes? Nada, pai, pelo contrário, quando a vê irritada vai lá abraça, faz carinho, beija, a põe até no colo, o colo que um dia era meu, exclusivo, hoje tenho que ver outra tomando aquele lugar por mostrar-se contrariada comigo, e o senhor, pai, tentando consolá-la como se eu de fato estivesse errada. Pai, não quero mais isto pra mim, cansei da vida, desta vida, pai. Quando meu grupo diz: ‘cadê seu pai? por que nunca aparece?’ minto e digo que o senhor é um homem muito ocupado, isto dói, pai, ter que mentir por tua causa, logo tu que me ensinaste que é pecado mentir.

Se volto para a casa da minha mãe, seu novo namorado me vem com cantadas, agarra-me de um jeito que não gosto, pois sei que existem ali segundas intenções, se falo isto pra mamãe ela diz: ‘Besteira tua, filha, ele é um bom moço, faz isto por que gosta de você, quer demonstrar carinho’ na minha casa não tenho mais privacidade, não posso andar como quero porque tem alguém com os olhos em cima de mim me desejando, olhando com olhar de malícia, sinto nojo disto, pois sei que ele é o homem de minha mãe, tem que desejar, amar, demonstrar todo seu querer a ela, não a mim, pai. E quando ele bebe, pai, aí a cosa fica feia para mim, ele vem com gracejos, diz um monte de palavras que nem quero repetir, pois me dizias que é pecado falar isto, mas ele fala e eu tenho que ouvir, pai, choro por dentro, meus ouvidos queimam com aquelas palavras, grito no meu interior e ninguém me ouve, não há socorro para mim.

Se volto  para o meu quarto e me tranco lá,  a mamãe vem e diz: ‘abre a porta, filha, abre esta porta, aqui não tem tarado não para que tenhas que fechar a porta’ e tenho que abrir, ver o sorriso maligno do seu companheiro no canto da boca e seu olhar de bêbado filmando meu corpo.

Pai, na casa da mamãe, em tua casa não encontro paz, é só sofrimento, me sinto bem só quando estou no colégio, no grupo de jovens da minha igreja só nestes instantes sinto paz, mas chega o instante que tenho que voltar para casa e aí me deprimo, meu coração bate forte, a tristeza toma conta de mim e fico pensando aonde ir. Pai, todos já notaram minha tristeza, minhas colegas, meus colegas, minha professora diz: ‘Letícia, por que esta carinha triste?’ dou uma desculpa qualquer, mas não confesso, tenho vergonha de falar mal de vocês, digo não ser nada, e mostro uma felicidade aparente, mentirosa para que ela não fale nada para vocês. Já até sonhei trocando de pai e de mãe, sonhei que os pais da Betty eram meus pais e eu era ela, veja pai, a que ponto cheguei, a um ponto de invejar a felicidade da minha melhor companheira.

Pai, a minha vida, a vida daquela garota que puseste no mundo acabou, não existe mais, sou uma flor que definha aos poucos, não quero mais viver, pai, não quero mais esta vida, acho que para mim o único medicamento seria aquele que vindo do céu salvou a humanidade do pecado, mas parece que até Ele esquecido está de mim, oro todas as noites, oro até pela tua união novamente com a mamãe, mas parece que todos se fizeram surdos para mim. Desculpa, pai, por estas palavras, mas já não agüentava mais e tinha que te dizer isto, não quero mais viver, encerrada está minha vida”.

É um relato triste de uma jovem de pais separados, mas um relato que sabemos que acontece, é algo que está acontecendo a todo instante em muitos lares. Senhores casais, se é para separar, por que casaram? Se é para deixarem seus filhos jogados, deixá-los carentes do seu amor, por que pô-los no mundo? Será que não cabe a cada casal refletir se de fato está preparado para casar, ter filhos? Será que os novos casais não estão tendo tempo para pensar se é aquilo mesmo que querem, se aquilo a que se propõem a fazer chamado casamento não é somente uma paixão de momento, algo que não tendo raízes logo desmoronará?

É, senhores casais, é famílias, seus filhos estão sofrendo, e este sofrimento vem sendo causado por vós mesmos, os vosso filhos já não estão aguentando mais suas casas, e em desesperos estão partindo para as drogas, para os suicídios, para a morte sem Deus. Será, queridos casais, que não dói em vocês o sofrimento dos vossos filhos, não dói em vocês saber que talvez teu filho esteja nas drogas, fruto da vossa negligencia no casamento, fruto da vossa separação que traumatizou, infernizou, trouxe a teu filho algo ruim?

É, senhores casais, a sua parcela de responsabilidade com seus filhos tendes que assumir, se é para separar que não case, sé é para largar não construa união alguma, se é para deixar os vossos filhos jogados e seguir suas vidas, que não os ponha no mundo. Que Deus abençoe os casais. Amém.

Em 26.10.2009
Wilame Lima Silva

Gostou desta Mensagem? Clique Aqui e
Envie para um Amigo!

Visitante  n.º