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Pai e Filho em Um Momento Santo


Aquele homem me diz: “Que infelicidade é meu lar, quando vejo filhos abraçando os pais meu coração se revolta. Por que Deus não é assim comigo? Por que nem um abraço? Só repulsa, só ódio do meu filho, tudo dentro da minha casa está sendo roubado por meu filho para ser vendido, ser moeda de troca por drogas. Eu choro, e como choro, ninguém presencia meu choro, estou me acabando aos poucos, minha vida finda e nada mais eu busco na Terra a não ser ver a morte chegar e me levar de vez.

Agora vem você falar de Deus. Que Deus é este que vendo meu sofrimento me deixa nele? Por que se sou eu errado ele não me castiga logo e me leva de vez e salva meu filho desta opressão do diabo? Que Deus é este que está curtindo do alto minha dor, o meu sofrimento, minha vergonha no mundo? Que Deus é este? Diga-me, será que estas lágrimas que caem de mim somente me humilham e trazem a teu Deus alegria?”

Calado assisto e calado ouço a tudo, só uma palavra atrevo-me a dizer: “Deus te ama”. Em gritos ouço: “Ama nada, me despreza, me joga fora, rejeita minha vida como rejeitou a do meu filho, estou perdido, e ao meu filho ele já decretou a morte certa, que Deus é este?”. Com lágrimas nos olhos, aquele homem se vai sem mais nada dizer, e eu calado fico a olhar aquela partida. Digo para mim mesmo: “Deus, e aí, será o fim?”.

Que fim que nada, um novo dia nasce para todos, o sol da manhã traz raios fulgurantes e em um novo dia uma nova criatura encontro, a vejo feliz; a aparência abatida, a revolta, o entregar da vida para a morte não existe ali, só ouço o alegre dizer: “Oi pastor” (não sou pastor, não me atrevo a dizer ou comparar-me com aqueles que Deus os escolheu e os homens os outorgou pastores, sacerdotes serem na Terra). Ele vindo em minha direção diz: “Tudo mudou, a tristeza se foi, o roubo acabou, as drogas foram aos poucos embora do meu filho, agora a felicidade retornou, aos poucos está vindo como correnteza, nem as consigo segurar, meus olhos vermelhos de chorar não existem mais, veja pastor, vê se você vê mais, não vê, pastor? Eu sou agora feliz, o teu Deus existe, pastor, eu sei. Naquele dia que falamos estive com meu filho em um hospital, teve uma overdose, despediu-se das drogas ali, naquele hospital em seu leito ele dizia: ‘Pai, por  que, pai, estamos aqui, eu e você, por que Pai? Por causa do meu pecado? Sei que poderíamos estar em um ambiente melhor, pai, não quero mais isto para mim nem para você, perdoa-me, pai, o pai do céu me falou a tal hora Ele chegou a mim e disse: ‘queres a morte ou a vida do teu Pai?’, sei lá, pai, aquilo não sei se era fala real ou alucinação das drogas, só sinto que Deus me disse isso, e eu optei por tua vida. Eu disse: Pai do céu, não quero ser a cadeira elétrica do meu pai, não me deixa apertar este botão. Naquele instante estava loucão. Ele disse: conserta-te, busque-me e me achareis, faço em tua vida uma transformação. Caí, pai, caí ali, rugi por terra, rugi, chorei, busquei refúgio, ninguém me socorreu, desmaiei, em uma overdose fui tocado por Deus que me deu uma chance, sobrevivi quando morto deveria estar e agora aqui estamos eu e você, que maravilha, vivos, pai, eu sou teu e você meu, pai, nunca mais me deixe só, quero contigo ser feliz, sou agradecido pela vida que Deus me deu novamente para viver contigo feliz’.

Hoje, pastor, estou feliz, o teu Deus hoje é meu Deus, Ele está aprisionado em meu coração, nunca mais o deixarei sair. Vivo com Ele e Ele parece gostar de mim, pois vive comigo. Pastor, eu amo teu Deus e ele me ama, obrigado por tua oferta”.

Eu nada a ele falei no instante do primeiro encontro, só disse “Deus o ama”. E assim termina esta história, como convidado vejo pai e filhos abraçados juntos naquele lago olhando os restos das drogas que ainda restavam e ali depositaram, elas foram jogadas nas águas, e eles abraçados despediam-se delas como cinzas dos mortos, só que sem nenhuma reverência fazer, se despediam para nunca mais vê-las voltarem, abraçados banharam-se no lago, ali havia amor, o amor de Deus, Filho e Pai. Sem comentários ou até logo dali saí e deixei que a felicidade por pai e filho fosse compartilhada tendo Deus como idealizador daquele momento santo. Que Deus os abençoe sempre e sempre. Amém.

Em 28.02.2009
Wilame Lima Silva

 

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